Como descrever lesões e fazer diagnóstico
Aula de anatomia por Dr. Nicolaes Tulp (quadro de Rembrandt)Tipos de diagnóstico
O patologista deve ser capaz de usar uma variedade de maneiras de comunicar o diagnóstico de uma lesão. Há vários modos de fazer isso, com os quais você deve ter familiaridade.
A. Diagnóstico morfológico. É um resumo da lesão, mas geralmente não descreve o que está causando a lesão (exemplo: enterite granulomatosa, difusa, acentuada).
B. Diagnóstico etiológico. Este tipo de diagnóstico restringe-se a indicar apenas duas coisas – o local e o agente causador da lesão (exemplo: enterite micobacteriana).
C. Etiologia. Esse tipo de diagnóstico indica apenas o agente causador. Pode ser denominado também como causa, agente causador ou agente etiológico. Não implica em colocar o nome do órgão, a distribuição da lesão ou qualquer outro tipo de informação (exemplo: Mycobacterium paratuberculosis).
D. Nome da doença. Nesse tipo de diagnóstico é necessário que se coloque o nome de uso comum da doença (exemplo: Doença de Johne).
Como formular um bom diagnóstico morfológico
Um diagnóstico morfológico deve apresentar, no mínimo, três componentes: 1) o órgão em questão (exemplo: fígado, hepatite, hepático, etc.), 2) a interpretação do processo (exemplo: piogranulomatosa, necrosante, etc.) e 3) a sua distribuição (focal, difusa, etc.). Embora a inclusão de outros componentes seja aceitável e possa ajudar grandemente no diagnóstico morfológico, em muitos casos eles não são exigidos.
1. Órgão. Há várias maneiras de acomodar o nome do órgão em seu diagnóstico morfológico. Você pode usar o substantivo (exemplo: Pulmão: piogranulomas, multifocais, moderados) ou o adjetivo (exemplo: piogranulomas pulmonares multifocais) ou mesmo como parte do próprio processo (pneumonia piogranulomatosa multifocal). Pode-se usar qualquer uma dessa maneiras, mas certifique-se que o nome do órgão foi incluído no diagnóstico morfológico.
2. Distribuição.
- a. Focal – apenas uma lesão.
- b. Multifocal – lesões múltiplas distribuídas pelo órgão separadas por tecido não afetado.
- c. Multifocal a coalescente – lesões múltiplas que se juntam criando lesões ainda maiores.
- d. Difusa – envolvimento total de um tecido.
- e. Disseminada - numerosos pequenos focos distribuídos por uma grande área ou por vários órgãos ou tecidos.
- f. Transmural – abrangendo todas as camadas de um órgão oco.
- g. Unilateral/bilateral/bilateralmente simétrica – auto-explicativos.
- h. Aleatória - não obedece a nenhum padrão anatômico.
3. Tipos de inflamação.
- a. Purulenta/supurativa
- b. Granulomatosa
- c. Hemorrágica.
- d. Necrosante
- e. Proliferativa
- f. Linfocítica/plasmacítica
- g. Catarral
- h. Ulcerativa
- i. Fibrinosa
4. Outros termos descritivos que podem ser usados.
- a. Relacionados à duração (aguda, subaguda, crônica)
- b. Intensidade (leve, discreta, moderada, acentuada)
5. “Cons”. Ocasionalmente as lesões macroscópicas são resultados de mais de um evento que se combinam para criar o quadro morfológico final (exemplo: erisipelas: vasculite cutânea multifocal com infarto dérmico. O evento principal nesse caso é a vasculite dos vasos da derma que resulta em infartos observáveis no cadáver do porco).
6. Exceções. Há certamente muito poucas exceções para o diagnóstico morfológico de três termos:
- a. Neoplasmas: O diagnóstico morfológico de um neoplasma é o nome da tumor mais o órgão onde ela está localizada: 1. Linfossarcoma renal 2. Carcinoma de células escamosas das tonsilas 3. Hemangiossarcoma esplênico.
- b. Certas condições podem ser resumidas numa só palavra. Esses termos combinam usualmente o processo com a sua localização ou podem, alternativamente, descrever um processo generalizado. 1. Meningoencefalocele 2. Palatosquise 3. Ciclopia
- c. Quando em dúvida, dê tanto o diagnóstico morfológico apropriado quanto o nome da entidade entre parênteses 1. Aplasia epitelial focalmente extensa (epitheliogenesis imperfecta) 2. Endometrite supurativa difusa acentuada (piometra).
- d. Finalmente, evite usar certos termos que gozam atualmente de popularidade, mas cujas definições podem variar significativamente entre patologistas. É melhor empregar esses termos entre parênteses após o diagnóstico morfológico. 1. Regeneração hepática macronodular difusa (cirrose) 2. Necrose tubular renal difusa (nefrose).
[Texto por Claudio Barros]
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